Erva-das-Sete-Sangrias

Erva-das-Sete-Sangrias

Lithospermum Diffusum e Lithospermum Fruticosum

Lithospermum Diffusum é o nome científico que se dá à planta conhecida em Portugal como Erva-das-Sete-Sangrias. A sua distribuição geográfica inclui o sul de França, a Península Ibérica e o Noroeste de África nas áreas menos desérticas, especialmente nas montanhas do Atlas. É comum entre os curiosos confundir esta espécie com a sua irmã gémea, Lithospermum Fruticosum, uma vez que as folhas e flores são aparentemente iguais. Os maiores especialistas como Pio Font Quer não distinguiram as aplicações terapêuticas de uma e de outra e julga-se que são as mesmas por observação da prática e tradição popular. A sua composição química foi pouco estudada até hoje e para obter informação fidedigna é necessário recorrer aos grandes nomes da farmacognosia do século XX. A maior parte dos internautas não distingue as duas espécies lançando pouca ou nenhuma informação nova para a rede adensando-se aí o problema com outras sete-sangrias, assim chamadas por exemplo no Brasil, do género Cuphea, como a Cuphea Carthagenensis .

A diferença morfológica que permite distinguir as duas espécies que aqui nos interessam é a estrutura dos caules, a Lithospermum Fruticosum tem caules mais lenhosos e altos que a Lithospermum Diffusum. À mesma utilização terapêutica de ambas as plantas e a este problema de identificação pela morfologia junta-se a mesma nomenclatura popular. Os galegos, leoneses e portugueses chamam erva-das-sete sangrias à Lithospermum Diffusum ao passo que os restantes povos ibéricos chamam “hierba de las siete sangrias” à Lithospermum Fruticosum. Isto deve-se precisamente ao facto de que a primeira ocorre mais no território galaico-português e a segunda na restante Hispânia.

A erva das sete sangrias (Lithospermum Diffusum) distribui-se em Portugal nos territórios calcários de Coimbra a Lisboa, é frequente nos solos de xisto da região centro e é espontânea ainda nas montanhas graníticas como a Serra da Estrela ou a Serra de Sintra. Aparentemente prefere climas quentes, mas é resistente ao frio e a temperaturas negativas. Os melhores locais para a encontrar são os pinhais e matagais onde se mistura com a carqueja, a urze, o tojo e o rosmaninho. Podemos encontrá-la também nas ribanceiras que ladeiam os caminhos velhos do interior e resiste até nos terrenos arenosos da Beira Litoral.

A Lithospermum Diffusum é facilmente reconhecível pelas suas flores azuis. A sua corola divide-se directamente em cinco pétalas e passa de uma cor púrpura inicial, que se manterá na base, a uma cor azul cobalto intensa.  As folhas são estreitas, curtas, sésseis e coriáceas apresentando pelos ásperos ao toque. Os ramos são mais flexíveis e menos lenhosos que os de Lithospermum Fruticosum e por isso menos altos não ultrapassando em geral os 30 cm de altura.

Uso terapêutico: É uma planta febrífuga, ou seja, faz baixar a febre; elimina parasitas e limpa o sangue (depurativa), daí o seu nome associado aos sangradores (profissão terapêutica da Época Moderna) que sangravam os enfermos com o intuito de expelir o sangue infecto tal como o faziam as sanguessugas domésticas de uso medicinal até há pouco tempo nas nossas aldeias.

Partes utilizadas: Partes aéreas: raminhos com folhas e flores que devem ser colhidos de preferência na Primavera.

Família: Boraginaceae

Género: Lithospermum

Espécie: Lithospermum Diffusum

Investigação e texto original

Victor Santos e Rita Antão